Os empresários Dalvan de Lara Delgado da Silva e Aline Flores de Oliveira foram presos suspeitos de dar uma série de golpes imobiliários em quem estava em busca do sonho da casa própria. O casal é dono da imobiliária Platium e da construtora Platium em Guarapuava, na região central do Paraná.
A Polícia Civil destaca que mais de 100 boletins de ocorrência (B.O.s) foram registrados contra eles e que há indícios de que eles conseguiram mais de R$ 1 milhão com os golpes.
Entre as vítimas, há quem usou todas as economias para comprar terrenos que não estavam à venda, e quem pagou pela construção de obras que nunca saíram do papel, por exemplo.
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o advogado de defesa de Dalvan e Aline afirmou que o casal estava fechando acordos com as pessoas que se sentiram lesadas e que vai recorrer pela soltura dos empresários.
Os suspeitos foram detidos na manhã desta quarta-feira (28). Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva, os policiais também apreenderam documentos, celulares e um carro, identificado como adquirido com valores provenientes dos golpes, segundo o delegado Ramon Galvão Zeferino.
“Trata-se de um esquema que atingiu diretamente o sonho da casa própria de inúmeras famílias, muitas delas pessoas humildes que comprometeram economias de uma vida inteira. A fraude reiterada não apenas provocou prejuízos financeiros significativos, mas violou a dignidade e a confiança social, razão pela qual a resposta estatal precisa ser firme e proporcional à gravidade dos fatos”, ressalta.
O delegado também explica que, agora, as investigações continuam para a identificação de novas vítimas, recuperação de valores e esclarecimento integral dos fatos.
Ele incentiva que quem foi lesado pelo casal ou por qualquer outra empresa ou pessoa procure a Polícia Civil para denunciar.
Golpes imobiliários
A polícia explica que as investigações iniciaram em maio, após a identificação de um esquema estruturado de fraudes imobiliárias envolvendo a comercialização de terrenos sem matrícula individualizada, sem desmembramento regular perante o Município e sem qualquer autorização dos proprietários legítimos.
"Também eram ofertados contratos de construção de casas que jamais foram iniciadas, levando dezenas de consumidores a prejuízo financeiro e à frustração", explica o delegado Ramon Galvão Zeferino.
A técnica de enfermagem Andreia Fiuza dos Santos foi uma das vítimas. Ela deu um carro de entrada e pagou algumas parcelas do contrato fechado com o casal, mas não viu a obra saindo do papel.
O pedreiro Ageu Santana também perdeu dinheiro. Há muito tempo ele sonha em ter uma casa própria, e depois de assinar um contrato com o casal de empresários e gastar todas as economias que tinha, levou a família para conhecer o local da futura moradia.
“O dia que eu estive lá no terreno o meu menino falou: ‘Pai, aqui vai ser a casinha do cachorro, aqui vou jogar bola, aqui vai ser o meu quarto... A gente se emociona até, porque mexe com um sonho da gente”, disse ele, à RPC.
Dicas de como se proteger antes de fechar imobiliários
“Caso sejam consumidores que ainda estão em busca de um terreno ou de uma residência, é importante buscar informações sobre a empresa e verificar se há reclamações. Já os que compraram e enfrentaram problemas podem procurar o Procon. Estamos aqui para orientar e ajudar também”, reforça o superintendente Raphael Virmond.
Foto: Lucas Polak/RPC

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